Que fazer quando a vida da mãe e/ou a do bebé correm perigo?

Trata-se de um problema que na prática, felizmente, se tornou raríssimo. No entanto, as questões não cessam de aparecer com frequência. A que princípios nos podemos referir?

a) O facto de uma intenção ser boa não é suficiente para modificar o valor moral de uma acção. De uma maneira mais simples: os fins não justificam os meios. Assim, não se pode executar um inocente com o objectivo de salvar a Pátria. Salvar a Pátria é uma boa finalidade, mas tal bondade não justifica que se sacrifique um inocente. As circunstâncias não são suficientes para modificar o valor moral de uma acção; quando muito podem atenuar ou agravar a responsabilidade de quem a realiza.

b) O princípio para a solução desta questão é simples: não se escolhe entre a vida da mãe e a da criança. Não se pode sacrificar uma vida inocente a uma outra vida. No entanto, ao fazer tudo o que é possível para salvar a mãe e preservar a vida da criança, esta pode perecer no momento da intervenção. O que se pretende, acima de tudo, é salvar os dois, mas, ao fazer tudo o que é humanamente possível, pode acontecer que se chegue a uma consequência indesejada: que a criança morra.

c) Querer provocar a morte, mesmo indirectamente, de um inocente, não seria nunca lícito, mesmo se o fim fosse bom: por exemplo, salvar a mãe. Contudo, pode suceder que uma acção, certamente boa, como tratar a mãe de um cancro, possa provocar um efeito funesto, que não é querido nem desejado: a morte da criança que esta mãe traz no seio.

d) Resumindo, pode suceder que ao tentar, honestamente, salvar alguém, outra pessoa venha a ser vitimada. Situação semelhante é aquela onde se buscam as vítimas de um desabamento. Põe-se todo o empenho em salvar tudo o que pode ser salvo.

Quando praticamos uma acção de duplo efeito, um positivo e outro negativo, nunca se quer o efeito negativo, resignamo-nos a ele, não o desejamos, toleramo-lo.

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