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Filósofo Schooyans diz não ao controle da vida

A Tarde, Salvador, Bahia, 19/12/1999

Não é a superpopulação que ameaça nossa humanidade no momento, mas a baixa generalizada da fecundidade, verdadeiro baque demográfico porque passam tanto os países pobres como os países ricos, com intervenções cada vez mais numerosas visando controlar a transição da vida.

Nós somos seis bilhões de habitantes na terra, afirma-se hoje. Isso não é demasiado?

Ao contrário. Desde uns 30 anos, demógrafos como Alfred Sauvy mostraram que não há perigo de crescimento exponencial da população. Na realidade, desde os anos 60, se observou uma queda da fecundidade (isto é número médio de filhos por mulher em idade de reprodução) e logo a seguir uma baixa da taxa de crescimento. Este é o perigo. Na Europa estamos começando a perecer demograficamente, com gerações que não se renovam e uma população que envelhece. Em países como a Alemanha, o número de habitantes já começou a diminuir.

No momento em que os deserdados do Terceiro Mundo tentam forçar as portas da Europa, um apoio à imigração não poderia preencher os déficits demográficos?

Esta não é uma solução durável porque os países de onde vêm os imigrantes vão ser afetados pela mesma tendência dos países desenvolvidos. Por outro lado, é preciso reconhecer e mesmo em se tratando de um ponto delicado e que a entrada maciça de imigrantes não deixará de comportar problemas sérios, já constatáveis.

Existe uma sociologia otimista de envelhecimento, segundo a qual nossas sociedades têm uma capacidade de inovação que lhes permite adaptar-se. O que você acha?

Eu não encontrei essa teoria por mais que procurasse e ela é de qualquer maneira desmentida pelos fatos. Eu cuido de um asilo de velhos e convido os divulgadores desta teoria a fazer uma visitinha comigo. Não se tem conhecimento de sociedades que tenham sido estimuladas pelo envelhecimento. Quando os velhos tiverem maior peso eleitoral, desviarão para seu proveito os recursos inicialmente destinados ao emprego, à educação, à família…

Você denuncia também a ideologia da segurança demográfica que inspira, entre outras, a campanha da esterilização maciça na América Latina, na China, na Índia… Mas como se explica o sucesso atual dessa corrente?

Controlar a vida pode ser uma política adotada por certos estados, mas também faz parte da ação de instituições internacionais, com várias agências da ONU (FNUAP, BM, PNUD, Unicef etc.), ou organizações não-governamentais, como a IPPF. Públicas ou privadas, essas organizações impõem aos países pobres ajudas condicionadas à aceitação, por eles, de programas de "contenção", isto é de controle da natalidade. Na base, há a hipótese, nunca provada, segundo a qual existiria uma relação determinante entre crescimento da população e subdesenvolvimento. Ora, apesar de o mundo de hoje contar com muito mais habitantes que o mundo dos séculos anteriores, o nível de vida e a esperança de vida não cessam de aumentar em todas as partes, mesmo se isso não ocorra em todos os países no mesmo ritmo.

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