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Apresentação

No século XIX o maior problema, a nível moral, social, económico e político, foi a miséria imerecida da classe trabalhadora, à qual se veio juntar a exploração colonial. No tempo em que vivemos, o maior problema, a nível moral, social, económico e político, é mais grave do que o do século XIX. Trata-se do desprezo imerecido de que a vida humana é vitima por todo o mundo.

Este problema foi claramente levantado desde a primeira metade do século XX. Mas a sua gravidade extrema aparece sobretudo desde que se assiste à campanha mundial que tem como objectivo não só secar as fontes da vida através da banalização da esterilização, mas também legalizar o aborto e, brevemente, a eutanásia.

Esta penhora da vida apresenta-se como a única solução satisfatórias para uma série de casos considerados dolorosos ou dramáticos. No entanto, como confirma a experiência, esta penhora levanta problemas mais numerosos e complexos do que os que pretende resolver.

Entre outras, as perturbações ocorridas na região de Chiapas, no sul do México, no inicio do corrente ano, deveriam ter derrubado os antolhos mais opacos. Estes acontecimentos têm na sua origem mais profunda a tomada de consciência, por parte dos índios da região de San Cristobal de las Casas, das injustiças e desigualdades. E, se as mesmas causas geralmente produzem os mesmos efeitos, torna-se urgente prevenir tais acontecimentos, procurando solucionar as injustiças e as desigualdades. As campanhas internacionais a favor da esterilização e do aborto revelam, por parte de quem as promove, uma rejeição em solucionar essas injustiças e desigualdades. Quando as vitimas tomarem consciência disso, a revolta estender-se-á como um rastilho de pólvora, cuja violência ninguém poderá controlar.

Por outro lado, somos tocados ao ver o zelo com que a administração Clinton se empenha, depois da implosão do bloco soviético, em prevenir a emergência de um inimigo actual, ou simplesmente potencial. O colapso demográfico que se verifica em toda a Europa Ocidental - ao qual não é alheia a liberalização do aborto - é um petisco para o apetite imperialista da metrópole além-Atlântico. As futuras crianças da Europa são submetidas a um programa de destruição antes mesmo de poderem tornar-se rivais de uma América obcecada com a sua segurança e expansão.

Vamos de seguida examinar, em termos simples, alguns dos argumentos que mais se discutem nos debates sobre o respeito pela vida. Estas discussões correm paralelas às questões fundamentais de bioética, mas serão tratadas à luz dos fenómenos demográficos actuais. Este exame levar-nos-á assim para alem dos preâmbulos e conclusões da liberalização do aborto…

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