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Redução da taxa de fecundidade representa risco

Por Cláudia Meireles

"Redução da taxa de fecundidade representa sério risco de não renovação populacional". A afirmativa foi feita pelo professo emérito de Ciências Políticas na Universidade de Louvain/Bélgica, Michel Schooyans, durante a realização do Pacto de Cooperação, dia 7 de Dezembro 1999, no Hotel Colonial. A reunião teve como tema "O Declínio Demográfico e Suas Implicações Políticas e Sociais".

O professor citou dados estatísticos que apontam o fim da espécie humana na Terra, caso a situação permaneça como está. Segundo dados do IBGE do final de setembro deste ano, em 1980, o número de filhos para cada mulher era de 4.35. Em 1991, caiu para 2.85, chegando a 2.28, este ano. Juntando a isso o fato de que de cada mil crianças nascidas vivas, no Brasil, 37 morrem antes de completar um ano de idade, é fácil perceber porque houve uma redução de 10 milhões de habitantes no país no espaço de dois anos. Pesquisa realizada pelo Census Bureau/Washington mostram que, em 1997, a população brasileira era de mais de 167 milhões de habitantes contra pouco mais de 157 milhões constatados, este ano, pelo IBGE.

Segundo Michel Schooyans, "a afirmação de que o crescimento da população representa um obstáculo ao desenvolvimento do país é a uma das mais sórdidas mentiras já sustentadas pelas autoridades governamentais." Aliado a esse ponto, ele destaca outros três que, em conjunto, contribuem para o desestímulo da mulher querer ser mãe.

O primeiro deles seria a grande influência da televisão, principalmente através das novelas, "onde é apresentada um imagem distorcida da família, banalizacão do divórcio, do adultério e da infidelidade". Ele aponta como resultado o fato das mulheres não quererem se aventurar à gravidez sem poder contar com a confiança do marido, "pois ser mãe ou pai é um projeto de longo prazo que demanda solidariedade, cumplicidade e complementariedade", enfatiza.

Outro fator que contribui para isso são, segundo ele, as políticas de crédito dada pelo exagerado desejo de consumo das pessoas. Ai, o professor destaca a necessidade do marido e da mulher procurarem um segundo emprego para aumentar a renda e satisfazerem seus desejos. "Assim, os filhos passam a ser vistos como empecilhos, como obstáculos ao consumo, tornando-se os mesmos órfãos de pais vivos ou deixam de ter oportunidade de nascerem porque são percebidos como um objeto qualquer ou porque o status financeiro é mais importante para os pais, quando essa comparação sequer deveria existir", ressalta.

As políticas de controle da população e práticas anti-natalistas também contribuem para esse desfecho por conduzirem à banalização do aborto et da contracepção. O professor Schooyans destaca, no Brasil, com maior predominância, campanha massiva de laqueadura e de vasequitomia. Inclusive, segundo dados do governo, da populaçao feminina que utiliza métodos de controle da natalidade, mais de 40% foram esterilizadas em idade fértil, na faixa etária dos 15 aos 49 anos de idade.

Consequências - A queda da fecundidade provoca, em primeiro lugar, o envelhecimento da população , o que, a longo prazo, representa o declínio do número de habitantes, realidade já constatada em 15 países europeus, a exemplo da Alemanha. É percebido também o alongamento da expectativa de vida do brasileiro, que nos anos 50 era de até 43 anos de idade e hoje aumentou para 68 anos. Isso, devido, entre outras causas, a medicina preventiva. "O resultado será o interesse do Governo em agradar aos idosos, porque serão maioria, consistindo, portanto, no grupo de maior peso eleitoral, o que devera ocasionar o surgimento de tensões entre gerações, uma vez que o grupo economicamente ativo não irá aceitar sacrifícios, como a redução de seu poder aquisitivo em função do sustento de velhos", diz.

Mais grave ainda será a dificuldade de defesa da nação, uma vez que será cada menor o índice de jovens. Ele enfatizou a possibilidade de conflitos, já que a ocupação do território nacional é essencial para não estimular a cobiça internacional. Citou como exemplo o interesse que as grandes potências têm em possuir a Amazônia, considerada "patrimônio da humanidade". "Desocupada, essas potências poderão apontar "incompetência administrativa do Brasil para invadi-la", alerta.

A solução para toda a problemática, seria, segundo o professor, principalmente, manter a população informada corretamente, "combatendo a falsa divulgação da existência de que há explosão demográfica no pais, e denunciar as políticas de controle de natalidade, sob o risco de diminuição da população a longo prazo", ressalta.

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