O facto é que há abortos clandestinos. Não valerá a pena legalizar o aborto para reduzir o seu número?

a) É certo e sabido que o número de abortos clandestinos foi empolado de maneira a assustar e para levar à mudança da lei. Como é que o sabemos?

b) A experiência francesa – como a de outros países em que o aborto foi liberalizado – prova que a lei Veil-Pelletier não fez desaparecer os abortos pudicamente chamados "não-recenseados". De acordo com algumas estimativas, estes serão mais ou mesmos tão numerosos quanto os abortos recenseados. O que equivale a dizer que o número daqueles não diminuiu.

A implantação de uma mentalidade abortiva incita, inevitavelmente, as mulheres a praticarem o aborto por motivos e em circunstâncias não previstas pela lei. Clandestinamente, pois, e em "más condições". Isto compreende-se facilmente em democracia, proibir não faz sentido se não se previr uma sanção; assim, a despenalização contribui, inevitavelmente, para que se crie uma mentalidade abortiva que multiplica o número dos abortos legais e dos abortos clandestinos. Foi deste modo que na União Soviética se chegou, por vezes, a situações em que havia mais abortos que nascimentos.

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