F.A.Q (Frequently Asked Questions)

QUESTOES FREQUENTEMENTE PERGUNTADAS

Esta página foi preparada com a ajuda de Christiano Borges, aquariofilo brasileiro do Rio de Janeiro, Jonathan Bouquerel, aquariofilo francês e da Andrea, aquariofila norte americana, do Texas.

Perguntas (para saber as respostas, simplesmente clique no link)

1) Qual seria um bom tamanho de aquario para as ampularias ? Resposta
2) Qual seria o tamanho do aquário para começar a reprodução delas? Resposta
3) Que tipo de decoração para um aquário de ampularias (plantas, pedras, troncos, cascalho) ? Resposta
4) Que tipo de filtro devo usar para as ampularias ? Resposta
5) Qual é a melhor temperatura e Ph para manutenção e repro? Resposta

6) Que iluminação ?

Resposta

7) Que alimentação ?

Resposta

8) Como resolver o problema do desgaste da concha ?

Resposta

9) Posso ter ampularias com outros seres aquáticos como crustáceos e peixes ? E com outros tipos de caracois ?

Resposta

10) Como saber se o caracol que possuo em meu aquário come plantas ?

Resposta

11) Ampularias atacam peixes ?

Resposta

12) Como manter os filhotes vivos até a fase adulta ?

Resposta

13) Quantas ampularias posso ter por litro de agua ?

Resposta

14) Quanto tempo leva uma ampularia para se tornar adulta ?

Resposta

15) Onde se acham ampulárias na natureza ?

Resposta

16) O que seria indispensável num aquário de ampularias ?

Resposta

17) Quanto tempo de vida tem uma ampularia ? E que tamanho pode alcançar ?

Resposta

18) Quais são os pontos fracos das ampularias ?

Resposta
19) Os ovos de minhas ampularias cairam à água, o que faço ? Resposta
20) As minhas ampularias não se mexem, o que faço ? Resposta
21) Introduzi ampularias recentemente compradas no meu aquário e morreram logo, porquê ? Resposta
22) A concha das minhas ampularias está a ficar mais clara, o que se passa ? Resposta
23) As minhas ampularias desapareceram, onde estão ??? Resposta
24) Tem perguntas para as quais não encontrou resposta aqui ? envie um mail e completarei esta secção. ...

 

Respostas
1) O bom tamanho de aquário para ampularias não pode ser definido como para peixes.  A regra do litro de água por centimetro de caracol aplica-se, mas não convém de modo nenhum ficar-se pelos 10 ou 20 litros.  Começar com 60 litros é jogar pelo seguro, sabendo que se um casal é posto no aquário, pouco tempo depois irá acasalar e algumas centenas de filhotes vão começar a passear.As necessidades dos filhotes também terão que ser satisfeitas em termos de espaço e alimentação.  Existe uma tendência para minimizar este problema, mas as ampularias não formam casais, elas simplesmente acasalam.  Basta um macho para haver fecundação de várias fêmeas.
2) Segundo o tipo de reprodução que se deseja - um só casal ou várias ampularias - elas reproduzem-se muito rápidamente quando mantidas em condições optimais.  Como dito aqui acima, começa-se com 60 litros.  Para se ter uma noção de uma reprodução "intensiva", esse tipo de caracois é hoje em dia reproduzido para fins de comercialização em tanques de vários milhares de litros.  A lógica aquariofila impõem que se guardem únicamente filhotes de uma ou duas desovas pois manter os filhotes de várias desovas em aquários abaixo de 200 litros é absolutamente irrealista à nível privado e com um número reduzido de aquários.
3) As ampularias sendo mantidas en número reduzido e correctamente alimentadas não representam perigo nenhum para a decoração - (seja plantas ou qualquer outro elemento de decoração). No entanto, a partir do momento em que existem carências alimentares, qualquer meio será usado pelas ampularias para combaterem essa carência - devorar as plantas, canibalismo, ... Convém no entanto salientar que esta regra se aplica nomeadamente à espécie Pomacea bridgesi, comercializada sob o nome de "caramujo dourado", ou "ampularia dourada".  Qualquer outra espécie de ampularia devora as plantas.  Convém também dizer que uma varidade de Pomacea canaliculata também é vendida sob a mesma apelação, o que causa desilusão perante os danos causados e desenvolve o mau nome que as ampularias têm no aquarismo.
4) A filtração não é o elemento essencial para a manutenção das ampularias.  Mantive ampularias em condições de filtragem optimal e outras em condições péssimas (relação volume de água X filtragem) e a partir do momento em que a água tem condições suficientes, elas evoluem sem problema maior. Convém manter uma certa qualidade de água sem no entanto se criar uma corrente demasiado forte.  Uma filtragem de duas vezes o volume de água por hora é suficiente, de preferência usando o sistema gota a gota.
5)  Temperatura e Ph são factores relativamente pouco importantes, mantenho pessoalmente ampularias em águas cujo Ph varia de 8.5 à 5.5 e isso não parece afecta-las de modo nenhum. A amplitude térmica varia de 23 à 29°C, o que também não tem influência sobre seu comportamento ou saúde.  No entanto, não vou afirmar que qualquer Ph ou temperatura serve.  As ampularias são  caracois de água doce temperada e não fria, e uma água demasiado acida causa danos à estrutura da concha.  Por estas razões, recomendo um Ph ligeiramente alcalino e uma temperatura entre 24 e 27°C pois acima desta temperatura o nível de oxigénio na água começa a ficar demasiado baixo.  A vantagem principal do Ph alcalino é de permitir a aglomeração (em vez de dissolução) do calcário, essencial para os caracois.  A casca de um caracol mantido em Ph neutro ou ácido será sempre mais fraca que a de um caracol mantido em água de Ph alcalino.
6) A iluminação é outro elemento relativamente pouco importante mas deve-se considerar dois factores preponderantes para qualquer espécie em aquário:  A) o relógio biológico e B) a estética.  convém manter um periodo de iluminação comparável ao que se obtém com luz do dia - um ciclo regular de 10 horas.  Em relação à estética, um excesso de iluminação causaria o desenvolvimento desenfreado das algas e a morte das plantas, assim como a degradação progressiva do meio.  Por outro lado, a iluminação tem que estar suficientemente afastada da superfície da água, as ampularias saem da água para desovar e uma iluminação demasiado forte ou demasiado perto dos ovos causaria seu ressequimento e uma perda total.
7) A alimentação proporcionada às ampularias tem que satisfazer seu regime omnivoro e também sua necessidade em calcário.  Em aquário comunitário as ampularias comerão todos os restos de comida que os peixes não absorveram, um complemento vegetal não é de negligar, com por exemplo spirulina ou simplesmente alface (cozida ou não; se fôr crua tem que ser bem lavada para eliminar os pesticidas).  Eu uso batata crua cortada às rodelas, não a deixo dentro de água mais de um dia para evitar seu apodrecimento.  Subsiste o problema do calcário ... para enfrentar este problema (se não fôr resolvido as ampularias cedo começarão a "roer" as cascas umas às outras, chegando até a comer os filhotes) uma das soluções consiste em oferecer o pó obtido quando se raspa um osso de choco.
8) O desgaste da concha pode ser o resultado de diversos factores; pode ser causado por um Ph demasiado ácido, pode ser causado pela falta de calcário na alimentação das ampularias (desgaste duplo: as ampularias vão roer a concha umas às outras para obter calcário e por outro lado vão apresentar malformações da concha) ou pela presença de um peixe do tipo ancistrus ou plecostomus.
9) As ampularias dão-se com qualquer tipo de vida do aquário, seja peixes crustáceos ou outros caracois.  Existem excepções como os predadores naturais de caracois e certos ciclídeos - nomeadamente os ciclídeos que defendem um território na altura da reprodução. Neste caso, trata-se  de uma atitude defensiva dos ciclídeos que as ampularias cedo aprendem a evitar.
10) A maioria dos caracois são omnivoros, o que em si determina que conseguiram sobreviver até nossos dias (não dependem de uma única fonte de alimentação) e que representam quase todos um risco potencial para as plantas.  Isso também determina que as plantas não são o alvo essencial de sua gula. A partir do momento em que o aquariofilo não esquece que os caracois são hóspedes do aquário ao mesmo título que os peixes, e tenta encontrar um equilíbrio ecológico tendo em conta todas as espécies, os problemas tendem a desaparecer.  Certas espécies de caracois como Pomacea canaliculata e Marisa cornuarietis são de considerar como devoradoras de plantas e devem ser evitadas.  Pomacea canaliculata é frequentemente vendida na sua variedade dourada e confundida com Pomacea bridgesi - neste caso, observe o aquário de venda (existem plantas nesse tanque ? estão em boas condições ?) e tire suas conclusões.
11) As ampularias são omnivoras, não carnívoras.  Os peixes não arriscam nada, enquanto estão de perfeita saúde.  Um peixe morto vai ser comido pelos melanoides ao entardecer, e pelas ampularias durante o dia.  Neste caso os caracois ajudam o aquariofilo, mas o risco maior diz respeito aos ovos dos peixes, se estes não são protegidos pelos pais (comportamento típico dos ciclídeos) as ampularias vão comê-los.
12) Os filhotes de ampularia têm no princípio toda a vida do aquário contra si, são pequenos e suas conchas são moles o que faz deles os alvos ideais de ataques.  Os próprios pais vão comê-los.  Uma solução simples consiste em retirar os ovos (usando uma lámina de limpar as algas dos vidros) e colocá-los num mini-aquário até eclodirem - fora de água, por exemplo em cima de um pedaço de cortiça que flutua (os ovos não suportam nem o excesso de humidade nem a ausência de humidade) e passar suavemente um pincel húmido por eles duas vezes ao dia. Logo que eclodem, podem se colocar num aquário um pouco maior, garantindo seu crescimento com uma alimentação adequada.  Quando a concha começa a ter a côr amarela, podem se colocar no aquário comunitário, não esquecendo que têm que ser tomados em conta na população - também têm necessidades alimentares, também criam lixo e o tipo de espécies existentes no aquário comunitário tem que ser compatível.  Veja eventualmente as secções Predadores e Caracois Vs Ciclídeos para ajuda ulterior.
13) As ampularias nascem com pouco menos de um milimetro e chegam a atingir 10 centimetros; usando a regra do litro por centimetro de ser vivo, a ampularia adulta vai precisar ao mínimo de 10 litros de água.  Eu uso um aquário de 60 litros, o qe permite evitar a predação entre ampularias mas não garante um crescimento rápido.  Um aquário de 100 litros permite obter resultados nesse sentido.
14) Para se determinar que as ampularias chegam à idade adulta, deve se considerar por um lado o tamanho e por outro lado a capacidade de se reproduzirem.  As ampularias começam a ter um tamanho razoável para se reproduzir a partir dos 3 centimetros, ou seja, em aquário de 100 litros, a partir de 6 meses.
15) Onde achar ampularias na natureza ... hoje em dia as ampularias colonizaram todas as regiões tropicais do globo mas existe um pequeno "senão" quanto à captura.  Os caracois são frequetemente hóspedes de parasitas que podem causar problemas de saúde , veja por exemplo a secção Trematodos para esclarecimentos neste sentido.  Aqui está em princípio uma das vantagens da reprodução em massa por quintas piscícolas de espécies para a aquariofilia. Existem normas de saúde que em princípio são respeitadas por essas quintas e pelos importadores, como a quarentena que permite determinar o estado de saúde dos peixes e caracois e as medidas a aplicar caso haja problema.  Em regra eu aconselho a não capturar no meio ambiente espécies destinadas à aquariofilia.
16) Indispensável num aquário de ampularias ... um mínimo de 10 centimetros de espaço entre a superfície da água e a face superior do aquário (espaço de desova),  uma lâmpada de intensidade razoável e que não aquece demais (para evitar que os ovos sequem), um filtro, uma resistência para aquecer a água (não a deixe cair abaixo de 23°C de preferência) .  E para a reprodução, eis alguns ustensilios úteis: um pincel (para levemente humedecer os ovos de vez em quando - graças a este simples meio as perdas são reduzidas a menos de 5%); o pincel também é útil se fôr necessário apanhar os filhotes (as conchas são tão frágeis que seriam esmagadas se as tentassemos apanhar à mão), um pedaço de cortiça (se os ovos caem à água, devem ser rápidamente colocados no pedaço de cortiça a flutuar, se os ovos ficam de molho demasiado tempo não nascerá filhote nenhum e o envelope calcário dos ovos será devorado pelos adultos).
17)  A ampularia tem um ciclo de vida que implica que se põe em hibernação uma vez por ano; nessa altura parecem mortas mas a presença do operculo fechado atesta de sua boa saúde.  Elas podem atingir 10 centimetros de diametro e 180 gramas, se sobreviverem o tempo suficiente. Certas de minhas ampularias têm agora 3 anos e estão de boa saúde.  O ciclo de hibernação dura mais ou menos um mês em aquário.
18) As ampularias têm pontos fracos, o maior deles sendo sua necessidade vital em calcário.  Sem este elemento, suas conchas não podem crescer, tendendo até a atrofiar-se.  Se elas são molestadas de uma maneira ou outra, vão colocar-se numa atitude defensiva (antenas para dentro, corpo pouco saido da concha) e se não se puderem alimentar por bastante tempo, vão morrer.
19) Acontece por vezes que os ovos caem à água, isso pode ser causado por excesso de gordura no vidro do aquário ou simplesmente porque uma pequena pressão dos dedos os fez cair ou porque outra ampularia passou por cima.  Em regra, a substância adesiva produzida durante a desova impede que isso aconteça, mas sempre pode acontecer que caiam.  Neste caso, convém reagir rápidamente: apanham-se os ovos (se ficam submersos demasiado tempo todos os filhotes morrem) e colocam-se em cima de um elemento que flutua (por exemplo um pedaço de cortiça ou de esferovite).  No entanto, este mesmo elemento impede que a humidificação dos ovos occorra; para remediar a isto, use um pincel para os humedecer uma ou duas vezes por dia.  Chegando mais ou menos ao décimo dia de incubação, os filhotes vão nascer.  Estando a cortiça ou esferovite em posição horizontal sobre a água, os filhotes não caem à água como aconteceria se estivessem na posição vertical imposta pela desova - para os ajudar use o mesmo pincel (húmido) para os apanhar de leve.  Mergulhe o pincel na água, os filhotes caem ao fundo áquario sem danos, a água age como amortecedor dado que eles são muito leves.
20) Existem duas razões possíveis para que as ampularias não se mexam: estão a hibernar ou estão mortas.  A hibernação pode durar um mês e é uma necessidade sasonal.  Uma ampularia, ao morrer perde o seu opérculo, eventualmente verifique a presença deste.  Se a ampularia morreu, retire-a depressa do aquário pois a poluição causada pela decomposição deste caracol é proporcional ao seu tamanho - enorme por vezes.
21) As ampularias são muito resistentes, o que não quer dizer que resistam a tudo.  Quando se introduzem peixes recentemente comprados no aquário respeita-se primeiro um periodo de quarentena (observação num aquário enfermaria) e de qualquer maneira a introdução faz-se gentilmente, com adaptação da temperatura da água contida no saco de transporte à temperatura do aquário (deixa-se flutuar os saco meia hora no aquário, a temperatura no saco vai ajustar-se à do aquário) e com adaptação gradual dos parâmetros da água do saco aos do aquário.  Depois de ter deixado o saco flutuar por meia hora, pratique uma incisão de vrários centimetros de comprimento, deixe o saco flutuar - a água do saco misturar-se hà com a do aquário, passados mais 30 minutos, os caracois poderão ser retirados do saco e colocados no aquário sem risco de sofrerem com a mudança de parâmetros quimicos.  Outra solução consiste em abrir o saco - retirando os elásticos (e depois da temperatura ter sido adaptada !) - e a mudar o equivalente à meio copo de água todos os dez minutos.  Solte os caracois depois de meia hora ou seja, depois de três mudanças de água.  Se estas práticas são recomendadas para a adaptação de peixes ... porque não as aplicar para outros seres vivos ?!
22) Um Ph ácido ou a falta de calcário na alimentação das ampularias causam o enfraquecimento da estrutura da concha. O amarelo ou castanho ficam mais pálidos e eventualmente chegam a atingir uma certa translucidez.  Pode se corrigir isso por um lado com a regularização do Ph e por outro lado com a adaptação da dieta dos caracois.  Raspe um osso de choco e ponha um pouco do pó obtido na água do aquário, as ampularias vão consumí-lo e obter por esta via o calcário que lhes falta.
23) As ampularias desovam fora de água, para fazer isso elas sobem o vidro; acontece que os aquariofilos não preveram o espaço suficiente para as ampularias sairem - e que o aquário não esteja tapado.  Elas sobem, sobem, e caem para fora.  Se a concha não está danificada elas sobreviverão umas horas fora de água.  De qualquer maneira, se não se pode oferecer os 10 à 20 centimetros necessários à desova, tape o aquário que elas encontrarão lugar para a desova de qualquer jeito (o nível de humidade sendo talvez demasiado alto nessa altura determinará a inviabilidade dos ovos, mas pelo menos os adultos não se matarão com a queda para fora do aquário).
24) ...

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