PERSPECTIVAS

(Processo do Aquariofilo - Pelo Respeito da Natureza)

Os caracois sendo hóspedes "marginais" para o aquariofilo, quase sempre foram motivi para preocupação. O comportamento típico consiste em raciocinar da maneira seguinte: "Oh não ! Tenho bonitos peixes, belas plantas, e todo este trabalho vai ser reduzido a nada por causa destas pestes !" e là vai, tenta-se encontrar uma solução que permita eliminar os indesejáveis.  Geralmente corre-se para a loja para comprar um ou dois Botias que comem caracois, sem pensar no facto que os Botias vão atingir uns 15 cm ou pior, compra-se um produto "anti-caracois" que no melhor dos casos só matará uma geração de caracois enquanto que outra está no substrato e prestes a nascer.  Pdesta maneira envenar-se hà os peixes e as plantas ao empobrecer o aquário a um ponto tal que se torna inhabitável. Bom, é verdade que se não exageramos a dose o aquário fica viável e permitirß - após uma mudança total de água - repovoa-lo se a pesca aos cadáveres não deu um desgosto final ao aquariofilo tão apressado de se livrar dos seus caracois.

As razões do desconhecimento das espécies de caracois vendidas ou que aparcem "espontâneamente" no aquário ?

Antes de mais, não são hóspedes para os quais o aquariofilo principiante investe num aquário.  A documentação à venda (se bem que ler LIVROS seja uma pràtica cada vez mais rara hoje em dia) é essencialmente orientada para os peixes e plantas.  Os caracois são geralmente o tema para um pequeno parágrafo que geralmente os trata como seres nocivos, por fim, esses mesmos livros são de qualidades variadas e se os autores são sponsorizados por alguma marca de produtos aquariofilos, é políticamente correcto colocar um produto em vez de explicar como se respeita a natureza e ainda mais a "porção" de natureza pela qual somos RESPONSAVEIS quando somos aquariofilo ou temos qualquer tipo de biotopo artificialmente mantido dentro de casa.

Os caracois não são uma fonte de rendimentos para os comerciantes em aquariofilia.  As espécies propostas são reproduzidas em quintas aquácolas e são dificeis de vender ou são raras e difíceis de manter, razão pela qual o comerciante terà perdas consideráveis e será obrigado a vender seus caracois por um preço elevado - exit os clientes.  Será muito mais rentável vender um peixe que come "tal tipo de comida e necessita tal produto e que em caso de doença precisarà de ...bla bla bla bla bla bla".

De acordo com este raciocinio, para quê encontrar documentação sobre meros caracois que não passam de uma fonte de problemas enquanto que os sagrados peixes ...

O facto é que que os gasteropodes são desconhecidos e que só a experiência permitirà limitar e controlar uma população de melanoïdes (sim, aqueles que se parecem com cornetos de gelado ...) - a esse respeito, pergunto-me qual é o propósito de os matar - ou de physas; os tempos estão para a ecologia, para o respeito do ambiente então porque não tentamos conhecê-los em vez de reagir como os típicos seres humans confrontados com uma espécie que desconhecem ou não controlam  ?!

Se existe uma lei bem mais importante que a lei do mais forte, é a cadeia alimentar. Exemplo simples: a proliferação das bactériasnum aquàrio recentemente inicializado vai ocasionar a proliferação de algas(benéficas ou não).  Os peixes introduzidos vão consumir o que o aquariofilo lhes dà assim como uma parte dos recursos que se desenvolvem no aquàrio (plancton), mas vão produzir uma certa quantidade de fezes.  As plantas introduzidas no aquário vão fazer concorrência às algas pelos recursos em oligo-elementos e outros elementos nutritivos essenciais para seu crescimento; as fezes dos peixes vão servir em parte para esses fins, a proporção não consumida pelas plantas vai poluir gradualmente o aquário - uma mudança regular de parte da água servirá para reduzir este problema. Na maior parte dos casos, as plantas perdem esta batalha e são invadidas por algas. Os caracois consomem parte das algas, parte das fezes e os peixes mortos.  Os melanoides também têm um papel preponderante na arajem dp substrato - que permite evitar os depósitos de nitritos - a multiplicação em massa dos caracois sendo únicamente culpa do aquariofilo que dá demasiada comida aos seus peixes; o excesso de comida faz a felicidade dos caracois, que proliferam.

Se bem que tenha uma fachada muito Natureza e Ecologia, o aquariofilo contemporâneo não deixa de ser uma gigantesca máquina de fazer dinheiro.  Parece que o ser humano é incapaz de raciocinar por si próprio ! Na Natureza é provado que o uso de produtos quãmicos é nocivo, no entanto os aquariofilos tratam seus peixes com produtos, matam as algas e os caracois com outros produtos, etc, etc.  "Sim senhor, mas se os meus peixes estão doentes, não os vou deixar morrer !". A aquariofilia é como o noticiário, sem verdadeira substância, sem real objectivo que não seja mobilar, decorar (ou possuir) e certamente edulcorada ao ponto que quakquer aquariofilo pode comprar por apenas uns milhares de escudos sem ter a menor ideia do que isso implica nem dos factores que deveria conhecer para recriar um biotopo. "Sim senhor mas eu estudei matemáticas (sem ofensa para os matemáticos), não biologia !" - Os livres, os livres ...

Hoje em dia, principiar na aquariofilia consiste em fazer cálculos simples: o aquário vai custar W, as plantas vão custar X,  os peixes Y e a comida Z... mais tarde se verá o preço dos produtos, dos livros, da água (se os livros dorem muito caros não se compram e só se muda a água quando etiver amarelada).

Sabendo que W, X, Y et Z podem ser alcançados até pelas mais pequenas bolsas, qualquer pessoa pode brincar de Deus e massacrar "sem querer" algumas centenas de guppys, platies e outros.  Quando a bolsa se torna um pouco mais volumosa, o aquariofilo torna-se "ciclidofilo" e compra espécies como Discus ou outras belezas.  Perderão-se também umas dezenas de peixes, mas que importa.  Depois das primeiras perdas, pensa-se em contactar os aquariofilos mais experientes  ou comprar ... livros - em alguns casos, o desgosto é demasiado grande e para-se definitivamente o massacre.

Pode parecer idiota mas porque não começar ... com melanoïdes (é gratuito - muito prolífico e seja o que fôr que aconteça eles acabam povoando um aquário). Os melanoides não representam nenhuma glória para o aquariofilo mas são um excelente sujeito de aprendizagem ! Pode se aprender a controlar a quantidade de comida e as variações da química da água em relação ao crescimento da população -  um primeiro estudo que pode provar benéfico antes de gastar montes de dinheiro !  Quem pode muito pode pouco ! E  incompreensível que o aquariofilo pretenda repoduzir peixes que pagou ao preço mais alto mas desconheça o mais pequeno de seus hóspedes !

O respeito da vida passa pelo conhecimento dos seres mais "primitivos" ... em aquariofilia seriam as bactérias, as algas, as plantas, os caracois, etc... .  Em seguida podemos passar aos peixes ... Infelizmente os ser humano quer possuir o que vê, não integrar-se ao no todo que lhe permitiu evoluir.  Mas no importa ... o progresso científico traz soluções para tudo não é ?  Quando deixar de haver um meio ambiente para respeitar e preservar, poderemos sem dúvida acarinhar um animalzinho virtual, comer alimentos sintéticos e satisfazer todas as pulsões ou curar-nos graças a pequenas pílulas.  De momento situamo-nos no topo da escala evolucionária (diz-se) e contentamo-nos com a nossa dominação, sem tentar gerir.  Resta que quando não huver nada para dominar, deixaremos de existir para livrar o lugar a espécies "menos evoluidas" mas certamente mais integradas ao planeta ... como o dente-de-leão ou as formigas.

O propósito aqi não é culpar o leitor mas simplesmente incitá-lo a interessar-se um pouco mais pelas coisas que têm real importância.  Ouvir uma só vez a erva crescer, olhar a água do rio, sentir o perfume das flores ! Será que o Sol se tornou unícamente um meio de bronzear ? Você se lembra da caricia do Sol sobre sua pele ? Lembra-se do sabor da água que sai da rocha ? NAO AQUELA DAS GARRAFAS ! A QUE SAI GOTA A GOTA DA PEDRA ! Lembra-se do sabor dos frutos e legumes frescos ? Não aqueles que crescem como por encanto nos sacos que se põem no frigorífico ou nas conservas, aqueles que viu sair da terra com seus próprios olhos (nem que seja salsa posta a crescer num frasco à janela).

Tudo gira à volta da apreciação da VIDA no sentido largo e da necessidade de saber quem somos no fundo; temos um lugar na Natureza - como qualquer ser vivo, e procurar conhecer este lugar é infinitamente mais constructivo do que contentarmo-nos  com a dita dominação.  Na aquariofilia como em muitas áreas, o nosso papel é compreender para transmitir um saber teórico massobretudo prático às gerações seguintes.  Para que não tenhaos que dizer "Eu fiz isto e aquilo e foi genial - pena que vocês não posam fazer o mesmo".  Evoluemos em harmonia com o Mundo, é inútil "saber" se este saber só vale para uma ou duas gerações.

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