Trematodos

Os Trematodos têm por órgãos de fixação ventosas e ganchos.  As ventosas são apendices tegumentares nos quais a musculatura circular toma uma disposição mis ou menos radial.  A contração da ventosa cria uma depressão que causa a aderência do órgão ao seu suporte. A boca,  terminal ou subterminal, se abre no centro de uma ventosa.  Os ganchos só existem nos Trematodos de desenvolvimento directo e implantam-se à volta das ventosas posteriores.

O parenchime dos Trematodos contém massas de celulas poliédricas, ricas em glicogéneo e gorduras.  Nas espécies anaérobicas (parasitas do fígado, do intestino e de outras visceras), o glicogéneo é utilizado no curso de uma fermentação que substitui a respiração; desdobra-se em CO2 e em ácido gordo que está na origem das gorduras.

O aparelho reprodutor é hermafrodita.

Os Trematodos estão divididos em dois grupos diferentes por suas  morfologias e ciclos:

A. Trematodos monogenéticos B. Trematodos digenéticos
Para além da ventosa buccal, eles têm várias ventosas posteriores armadas com ganchos.  Seu desenvolvimento é directo e ocorre num único hóspede.  Na sua grande maioria, são parasitas de Vertebrados de sangue frio (por exemplo as rãs). Eles só têm duas ventosas, uma buccal e a outra ventral ou terminal.  Por vezes eles desaparecem (caso dos Trematodos sanguicolas).  Todos percorrem um ciclo complexo que inclui várias gerações e a passagem por vários hóspedes.  As fases larvares desenrolam-se sempre dentro de um Molusco. Uma fase de espera se enquista num hóspede passageiro ou num corpo estrangeiro.  O adulto vive na viscera de um Vertebrado  (principalmente o intestino e órgãos conexos).

Três exemplos de Trematodos digenéticos: Fasciola hepatica, Paragonimus ringeri et Schistosoma haematobium

Um dos ciclos mais conhecidos é o da Fascíola hepatica; particular porque tem uma fase de espera que inclui não um segundo hóspede mas plantas aquáticas.

O adulto (mais ou menos 3 cm) vive enrolado em corneto nos canais hepáticos dos Ruminantes (principalmente o Carneiro).  A auto-fecundação não parece ser a regra e a fecundação é recíproca durante o acasalamento.  Em realidade os ovos são casulos, porque contêm uma célula-germe (ovo própriamente dito) e várias centenas de células vitelinas. Eles caem no intestino e são expulsos com as fezes do animal.  Se eles chegam à água, continuam sua evolução.  A larva que eles engendram escapa-se levantando o opérculo polar e navega vigorosamente graças ao seu tegumento ciliado chamado miracidio.  Ela é atraida por quase todos os tipos de Limnaea (Moluscos gasteropodes pulmonados), principalmenta a Limnaea trunculata.  Ela penetra o pulmão do Molusco e transforma-se em esporocisto por degenerescencia de todos seus órgãos excepto os tegumentos (que perdem seus cílios) e as células reprodutoras.

Neste saco, as células germinais entram em acçío e formam larvas ou rédias que possuem um esboço de tubo digestivo e massas de células-germes.  Por arrebentamento do esporocisto, as rédias são  liberadas e emigram para o hépato-pancreas do hóspede.  Se a temperatura está baixa, elas engendram outras rédias, as rédias-filhas.  Se a temperatura sobe, elas dão lugar a um novo tipo de larva, a  cercaria na qual se esboça um jovem Trematodo com ventoses, tubo digestivo e cauda locomotora. A cercaria sai da Limnaea, através de suas visceras.  Após um curto periodo de vida livre, ela fixe-se numa planta aquática perto da superfície da água, perde sua cauda e secreta uma forte membrana quistica, tornando-se numa métacercaria infestante.  O herbivoro, ao ingerí-la, contamina-se quando as plantas saem da água.  A membrana quistica é digerida no duodéno; a pequena métacercaria sobe pelas vias hépaticas, e ganha seu habitat definitivo onde atingirá a maturidade sexual.

O ciclo inclui frequentemente um terceiro hóspede,  é o caso de Paragonimus ringeri que se encontra no Extremo-Oriente.  O Miracidio penetre um Gasteropode do género Melanoïdes, as cercarias que dele nascem enquistam-se num Caranguejo de água doceO Homem contamina-se ao comer o caranguejo insuficientemente cozido.  A métacercaria lbertada perfura a parede intestinal, cai na cavidade abdominal, atravessa o diafragma e finalmente penetra os pulmões sem passar pelas vias sanguineas. Os adultos encontram-se por pares nos brônquios que se dilatam e ficam mais espessos, enchendo-se com quistos.

O estágio métacercario pode ser suprimido.  Assim os Schistosoma, também chamados Bilharzia, não passam por ele.  As espécies deste género vivem no aparelho circulatório dos Mamíferos e, em todos os casos, os sexos são separados.  Várias espécies parasitam o Homem.  Eis o ciclo de Schistosoma haematobium: os adultos vivem nas veias; durante muito tempo  macho aloja a fêmea, que é filiforme, num sulco de sua face ventral.  As fêmeas fecundadas abandonam os machos e param nas vénulas da bexiga.  Seus ovos, graças à uma espora subterminal, rasgamos capilares e caem na cavidade vesical; eles são levados para o exterior pelas urinas. O Miracidio penetra num pequeno Pulmonado: Bullinus, Physa ou Planorbe.  O esporocisto cria por germinação esporocistos-filhos que engendram directamente  cercarias.  Estas deixam o hóspede e com sua cauda dupla, nadam vigorosamente .  Elas penetram directamente na pele do Homem que está em contacto com a água, caem nos capilares e são levadas pela circulação.  Elas transformam-se em Verme adulto dentro das veias.

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